Tombuctu

O que significa?

A lenda do deserto. Situada no limite onde se encontram as civilizações do deserto e o rio Niger, Tombuctu tornou-se para os viajantes ocidentais um mito irresistível. No século XIV era “esse país além do deserto onde os habitantes são pequenos e negros e onde um grande rio infestado de crocodilos corre de oeste a leste”. Tem sido a zona de encontro de um conjunto de povos que vem se inter-relacionando sem perder jamais sua identidade, o lugar onde se encontram a cultura do camelo e a civilização fluvial, o ponto final da viagem onde aconteciam os intercâmbios comerciais mais importantes do oeste da África: o ouro de Ghana, as sedas do oriente, as contas de vidro de Veneza e do Báltico, as barras de sal...   tudo se achava em Tombuctu, mas nada pertencia ao lugar.  Era o simples cenário para o encontro.

 

Na idade média européia, os povos do Mediterrâneo reclamavam enormes quantidades de ouro para cunhar suas moedas. O mundo, ainda que desconhecido e tenebroso, estava solidamente inter-relacionado por vias comerciais que permitiam o intercâmbio. O ouro era o padrão que marcava as regras do comércio e o mais abundante e de melhor qualidade se encontrava na África Ocidental, no leito do rio Niger. Dali partiam as rotas, e nas suas margens se sucederam, desde o final do primeiro milênio até o século XV, três reinos fabulosos que controlavam o ouro e se esforçavam para manter o mistério de suas origens. Primeiro foi o império de Ghana. Se contava que “o país de Ghana é o mais rico do mundo, lá o ouro nasce como cenouras e se arranca a saída do sol”. O segundo foi o império de Mali, e o  terceiro foi o Songhai, o último dos grandes impérios do ouro. Mas por cima destas cidades, sempre houve uma de capital importância estratégica: Tombuctu.

 

O ouro se encontrava nas montanhas guinés, esse era o grande segredo. Seus demandantes viviam ao norte, no Mediterrâneo, e entre eles se levantava um enorme oceano de areia que os comerciantes árabes cruzavam atuando como intermediários. Era uma compra e venda rodeada de mistérios, de chaves ocultas, de lendas alimentadas por quem interessava manter em segredo esse comércio. E como todo intercâmbio oculto, o do ouro precisava de uma geografia fronteiriça, um espaço ao abrigo da verdade, mas o suficientemente perto dela como para cobrir as aparências. Tombuctu era o lugar. Uma cidade sem dono situada justo onde acaba o deserto. Do norte, entre as dunas, chegavam sal, tecidos e mercadorias preciosas. Pelo rio subia o ouro, e ali, nas imediações da cidade, se produzia o encontro. Nunca houve ouro em Tombuctu, nem tecidos, nem mercadorias preciosas. Tudo ia e vinha. Passava ao largo, sem deter-se, deixando no caminho um rastro de riqueza volátil. Se o ouro era o produto com a maior demanda pelos comerciantes árabes do norte, o sol e a desidratação obrigavam os homens e o gado do Sahel a precisar de grandes quantidades de sal. Este vinha das salinas de Taudenni em lombos de camelos e trocava-se por ouro e escravos. Era importante manter o mistério do controle e procedência do metal. Segundo relatos árabes, no mercado de Tombuctu, o sal se vendia por seu peso em ouro.

Hoje em dia Tombuctu não é mais o lugar de intercâmbio comercial, mas ainda guarda com nostalgia a lembrança daqueles séculos gloriosos.

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  • Tombuctu Arte Africana
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